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I am a civil engineer

  • Writer: Lilian Casas
    Lilian Casas
  • Nov 10, 2025
  • 6 min read

Updated: Nov 11, 2025



Today, as I sit at home, I feel compelled to write about how people perceive us and, perhaps more importantly, how we perceive ourselves. I am once again undergoing change. Many know that I recently moved to another country, but that is not the kind of change I wish to address. Rather, I want to reflect on how we evolve throughout life, and how this evolution shapes our sense of personal fulfillment.


As a child, I dreamed of becoming a history teacher or a jewelry vendor. At different moments, I also wanted to be a singer, a model, and even a doctor. Over the years, my interests have spanned a wide range of activities: I enjoy embroidery, sunshine, music, reading, conversations with friends, family lunches, holding hands, colors, antiques, photography, museums, stationery, decoration, culture, dogs, and classical art. With all these diverse interests, one might be surprised to learn that I am a civil engineer. And that is precisely my point.


Can someone who enjoys so many things beyond mathematics truly be an engineer? Yes,I am an engineer. That is what I always answer when asked. Yet, “Lilian” is much more than that title. This realization led me to reflect deeply: is it possible for someone to practice a profession without truly being it?


I believe so. I may not embody the stereotypical image of an engineer. I am simply Lilian. The profession I chose, or that my father guided me toward, does not define who I am. It represents a way of working, a means of survival for which I am deeply grateful. Today, I work across multiple fields, many of which are not directly related to engineering. Have I changed? Not exactly. I remain the same person, only now interested in new areas, continually learning and growing.


The confusion began when I attended a graduate class in Entertainment Business in the United States. In a room of more than forty students, the professor urged us to ensure that our academic and career choices were guided by passion. That idea lingered in my mind. For an entire month, the focus was to determine whether what we were studying truly aligned with our passion. What? How so? Does not knowing your passion in your twenties, or not working with something you are passionate about, mean you are destined to fail? According to the professor, yes.

I kept wondering: how many of us have the privilege of choosing to work solely on what we love, twenty-four hours a day? What even qualifies as a passion? I like many things, but I am not defined by a single passion, I have several. Usually, our interests develop from what we learn and experience.


Passion does not arise out of nowhere; it grows from curiosity and ability. Yet young people today are bombarded with the notion that “you must choose your passion as your career.” That is misleading. Even if you pursue your dream profession, or one for which you have genuine talent, you will still face aspects of your daily work that you enjoy less. The truth is that we cannot always afford to choose what we do, but we can choose how we do it—how we serve others and improve ourselves. That, I believe, is the essence of meaningful work.


When I lived with my father, we often stopped by a local fruit shop after work. There was a man there who always restocked the produce. I never once saw him without a smile or a kind word. He was not the owner, and perhaps he never dreamed of being a fruit clerk. Yet, I can say with confidence that he seemed genuinely happy.


So what does this mean? I may be an engineer, but “Lilian” is far more than that label. What does one’s profession truly reveal about who they are? A doctor, for instance, may also love animals, sailing, classical music, or cooking and may be a dedicated parent, an amateur historian, and a volunteer leader. We are not our professions. We are not confined to a single talent or adjective. We are multifaceted beings who evolve with time. Throughout life, we accumulate countless skills and interests.


What truly matters is not the title we carry, but how much we are growing as human beings and how much we contribute to others. That, to me, is the genuine measure of happiness and fulfillment.


Go forward with courage,


Lilian Casas


Eu sou engenheira civil


Hoje, estou em casa e gostaria de escrever um pouco sobre como as pessoas nos vêm, e ainda, em como muitas vezes nos vemos. Estou vivendo mais uma mudança. Muitos sabem que me mudei de pais a pouco, mas não quero falar de nossa mudança de casa, de cidade ou de pais; mas sim o quanto nós mudamos ao longo da vida e como isso reflete em nossa realização pessoal.


Quando eu era criança eu queria ser professora de história ou vendedora de bijoux. Também quis ser cantora e modelo. Já quis ser médica. São coisas que me interessei em saber ao longo da vida. Eu gosto de bordar, tomar sol, escutar música, ler, encontrar com minhas amigas, conversar, conversar na mesa de almoço com minha família, gosto de mãos dadas, gosto de coisas coloridas, antigas, fotos, museus, papelaria, decoração, cultura, cachorro, arte antiga. Com todos esses gostos que dizem um pouco sobre mim, você sabia que sou engenheira civil? É disso que quero falar.


É possível uma pessoa que gosta de tantas outras coisas que não apenas matemática ser engenheira? Eu sou engenheira. É isso que sempre digo quando me perguntam, mas a Lilian é muito mais que isso. E essa redução me fez parar para refletir. É possível uma pessoa exercer uma profissão sem realmente sê-la? 

Eu digo que sim. Eu não sou engenheira ou ao menos não sou o estereotipo de engenheira. Eu sou a Lilian. A engenharia que escolhi, ou que meu pai me direcionou a escolher não me define como pessoa. É apenas um modo de trabalhar, uma forma de sobreviver a qual meu pai me ensinou e sou muito grata. Hoje trabalho em muitos setores e não diretamente com a engenharia. Eu mudei? Não, sou a mesma Lilian. Eu apenas me interessei por outras áreas, outros temas e fui me formando, aprendendo, crescendo.


A confusão na minha cabeça começou quando fui assistir uma aula do mestrado em Negócios de Entretenimento nos EUA onde numa sala de mais de 40 alunos a professora começou a direcionar a turma para que eles tivessem certeza de que o curso que estavam fazendo deveria ser guiado por suas paixões. Aquilo não saiu da minha cabeça. Foi um mês de aula para descobrir se o que você estava cursando seria realmente sua paixão. O que? Como assim? Se você com vinte e poucos anos não sabe sua paixão ou não vai trabalhar com algo que se sinta apaixonado você está fadado ao fracasso? Sim. Foi isso que a professora disse durante um mês de aula.


Fiquei me perguntando, quantos de nós podemos escolher nossas paixões para trabalhar 24 horas nelas? Qual seria essa paixão? Eu gosto de tantas coisas, mas não existe nada que sou apaixonada. Existem várias. Normalmente gostamos de coisas que aprendemos e conhecemos. Não surge do nada. Surge de uma facilidade ou habilidade para aquilo. E esses jovens com essa informação e que precisam trabalhar para viver serão pessoas eternamente frustradas se não enxergarem a realidade e ficarem com essa mensagem de que: “Temos que escolher nossas paixões para nosso trabalho”. Isto não está certo. Mas é o que os jovens estão recebendo de informação hoje. Mesmo que você escolha uma profissão que sonhou, ou que realmente tem aptidão para tal, você provavelmente irá gostar de algumas coisas do seu dia a dia e outras não.


O que eu quero dizer é que muitas vezes não podemos nos dar ao luxo de escolher o que vamos fazer, mas podemos analisar o que gostamos mais, o que não gostamos, nos capacitarmos e melhorarmos. Ou seja, tentarmos servir ao próximo da melhor forma possível, esse é o verdadeiro trabalho.

Quando morava com meu pai, nós sempre íamos após o trabalho numa frutaria perto de casa. La trabalhava um homem que repunha as frutas nas prateleiras do local. Ele sempre estava por la entre as gondolas. Não existiu um dia que eu fosse la e ele não estivesse sorrindo e nos atendendo de forma extremamente gentil e agradável. Ele era o dono do local? Não. Ele sempre sonhou em ser repositor de frutas no mercado? Talvez sim, talvez não. Ele é feliz? Posso dizer que sim pelos anos que o encontrei lá.


O que isso quer dizer? Bem, eu disse que sou engenheira, mas a Lilian é muito mais que isso.


O que tem haver a minha profissão com tudo o que sou? Um médico, por exemplo, ele pode gostar de animais, de velejar, de música clássica, cozinhar e ser além de médico um excelente pai, chef de cozinha, estudante de história, líder em seu trabalho voluntário.


Nós não somos nossa profissão. Nós não temos apenas uma qualidade ou adjetivo. Nós somos múltiplos e mudamos com o tempo. Quantas coisas aprendemos ao longo da vida?


Ao meu entender temos diversas habilidades e gostos. E podemos aprender infinitas coisas de todas as formas, em muitos lugares.


O que mais importa é, o quanto eu estou evoluindo como pessoa e o quanto eu posso servir e ajudar o próximo. Essa, para mim, é a verdadeira felicidade e realização.


Siga com coragem.


Lilian Casas



 
 
 

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